Leitura e a relação com o texto no budismo

Postado por Eduardo Pinheiro (Padma Dorje) em



Como aproveitar melhor os textos budistas?

Nossa relação com a palavra escrita mudou muito com o tempo. No início, os registros escritos eram domínio único de elites intelectuais, religiosas e burocráticas. Há, de fato, muita virtude na democratização da letra, e os índices de analfabetismo do mundo nunca foram tão baixos.

Por outro lado, quando observamos isso sob a perspectiva budista de treinamento da mente e interdependência, na mesma medida em que a leitura penetra todas as instâncias, ocorre também um “rebaixamento” do texto. Na Índia Clássica cada letra era vista como uma deidade, e os textos profundos eram vistos como guirlandas ou mandalas de deidades. Como havia um hábito de veneração ao texto, a relação com ele naturalmente aprofundava a interdependência com aqueles ensinamentos e práticas — as pessoas estavam propensas a encontrar coisas profundas ali, e, portanto, mais abertas e receptivas.

A partir do séc. XX, principalmente, a função predominante do texto — e basicamente da maior parte de nossas comunicações não pessoais, sejam escritas ou verbais — se tornou comercial ou publicitária. Isso acaba fomentando um hábito de paranoia perante o texto, na medida em que sabemos que a maioria das mensagens que recebemos tem segundas intenções e, particularmente, ansiosamente exigem algo de nós.

O budismo nem sempre foi textual. Nos seus primeiros 200 anos ele confiou em uma tradição completamente oral. Algumas vezes, os eruditos modernos duvidam da fidelidade dos registros budistas, mas isso se deve ao fato de não conhecerem a tradição de memorização na Ásia — que ainda está bem viva. Há 2500 anos, com menos textos e vida mais bucólica, essa tradição era, sem dúvida, muito mais forte. Na época do Buda as diversas tradições hindus já possuíam uma vasta tradição oral (de memória) e escrita.

Os monges se reuniram para registrar os ensinamentos do Buda em texto porque perceberam a potencial corrupção. Porém, naquele ponto ainda havia mais de uma fonte fidedigna de uma mesma memorização, de forma que era possível estabelecer com precisão as falas do Buda e é esse o registro que temos hoje.

Esses suttas, o que chamamos de “Cânone em Páli” — mas isso vale igualmente para os outros cânones também — contêm fórmulas repetitivas: o texto não é preparado para tornar a leitura agradável ou fácil. Eles não são elaborados para ser lidos no sentido que lemos hoje um romance, um livro-texto ou a argumentação de um filósofo. De fato, se os lemos assim, eles talvez sejam um tanto maçantes. Eles são sim para serem lidos em voz alta, e repetidas vezes, de forma a memorizar o texto inteiro — e ter sempre as citações do Buda na ponta da língua. Essa tradição ainda segue viva em muitos mosteiros de diferentes tradições budistas. É possível encontrar atualmente professores que sabem de cor milhares de páginas de texto.

O que vem à mente de uma pessoa moderna nesse contexto é: mas isso não é só lavagem cerebral e bitolação? Onde está o exame criterioso que o próprio Buda preconizava, se vamos ficar lendo os textos para repeti-los quase que como papagaios?

Tradicionalmente, a fase do exame e do debate era posterior à memorização. O monge usava alguns anos de sua juventude para decorar textos, e então, munido daquela matéria prima, ele começava a investigar aqueles conteúdos na própria mente e na própria vida e partia para o debate com outros monges e praticantes de outras tradições. Antes de memorizar os ensinamentos em grande parte — isto é, ter uma visão holística deles — não é considerado possível efetivamente ponderar apenas uma parte ou outra e achar que estamos examinando criteriosamente o que foi dito. E essa é a lógica por trás de memorizar antes para só então por à prova.

Nossa cultura, além de não ter todo esse tempo disponível — porque temos que alimentar o projeto de produção e consumo com nossa atenção incessante — é completamente crítica à decoreba. Isso tem relação direta com o fato de que, para viver no mar de publicidade que vivemos, aprendemos a desconfiar do texto. Efetivamente, treinamos para esquecer slogans e imagens e os fazer sempre perder força em nossa mente, de forma que tenhamos alguma vida própria e não nos vejamos constantemente dominados por impulsos de compra e de assumir estilos de vida, ou ao menos permanecer incessantemente ocupados ponderando e discriminando (escolhendo) a partir deles. (Produtos aqui incluem coisas materiais, mas também toda a indústria de entretenimento, publicidade política, jornalismo e redes sociais).

Com relação a ideia de memorização, não acreditamos ter tempo para duas etapas: uma de absorção e outra de pensamento crítico. Temos que começar desde o início pensando, de preferência com o filtro crítico mais intenso de que dispusermos. Deixamos o ato de memorizar para o papel ou para o computador: afinal de contas, somos capazes de gerar índices mentais, e quando precisamos, vamos atrás e reencontramos facilmente aquela informação. Porém, isso torna ainda mais difícil pensar de forma mais holística, panorâmica e de forma não fragmentada. O pensamento fragmentado, em que não se considera coisas em longo prazo e impactos mais amplos é também incentivado pela ideologia hegemônica, que economicamente depende do impulso e da não reflexividade.

O hábito da leitura

Ademais, a relação da formação de hábito com o texto é reconhecida. É sabido que quem lê, lê cada vez mais, se expressa melhor verbalmente e também escreve melhor. Podemos dizer que até pensa melhor. E quando, digamos, lemos um romance, não estamos desafiando o autor o tempo todo — pelo contrário, naquele momento deixamos que as motivações e raciocínios dos personagens se tornem efetivamente nossos. Relaxamos e aceitamos aqueles fluxos, muitas vezes extremamente distintos daqueles a que estamos acostumados em nossa mente — e essa de fato é uma das explicações científicas para a existência da ficção: aprendizado emocional.

E é justamente esse aprendizado de raciocinar e sentir como o narrador, como o personagem, e de formar uma teia semântica, lógica e emocional com o texto, é que nos forma para refinarmos como nós mesmos pensarmos, sentirmos e entendermos. Esse é o valor da leitura.

Concatenar ideias

Esses três aspectos a que me refiro não são arbitrários. Concatenação de ideias, emoção e sentido são três esferas do hábito da leitura. (É um tique budista classificar tudo em níveis, particularmente três. Externo, interno e sutil. Sentido explícito, sentido pessoal e sentido profundo. O que está dito, a energia que produz em nós, e o que aquilo nos faz ver. Outro tique budista é dizer que essas três esferas não estão efetivamente separadas, mas ainda assim discerni-las.)

Por exemplo, como se ensina lógica ou matemática? Se o professor joga um bando de formalismos num quadro com algumas explicações, dificilmente se transmite o hábito de concatenar raciocínios. O que um bom professor de lógica faz é o que alguém já chamou de “método de japonês”: ele explica alguns rudimentos sobre o formalismo e então vai resolvendo vários problemas na frente dos alunos, dos mais simples aos mais complexos — convidando-os a pensar junto, em voz alta. Quem presta atenção acaba necessariamente pegando alguns hábitos mentais, e então, a próxima etapa, é necessário fazer exercícios com base nisso — no fim coisas mais e mais complicadas começam a se tornar possíveis.

Não é possível explicar explicitamente o princípio de concatenação dos passos de uma explicação — na linguagem wittgensteiniana, como seguir “regras” matemáticas e desenvolver o raciocínio matemático é algo que você “mostra”, não é possível “dizer”. Em outras palavras, você faz junto, você não meramente explica como fazer.

A leitura inclui esse aprendizado, porque as pessoas que escrevem tendem a pensar um pouco melhor o que dizem — ou pelo menos efetuam uma tentativa. Muito mais do que com a linguagem verbal, que mesmo nas conversas mais sofisticadas muitas vezes não passa muito de duas pessoas gemendo uma para a outra, o texto tende a representar padrões mais complexos. Evidentemente, conversar com alguém muito articulado e com ideias balizadas irá, ao longo do tempo, produzir o efeito do texto — mas, se você reparar, pessoas que conversam nesse nível… leem.

Esse é o âmbito de aprender a concatenar ideias — o que é uma consequência, o que é uma implicação, o que é um argumento. Isso diz respeito ao sentido explícito de um conteúdo verbal ou escrito.

monges estudando

Emoção e sentido

O mesmo ocorre quanto aos outros dois níveis, emoção e sentido: antes de explicações, geramos hábitos. Claro, a qualquer momento explicações pormenorizadas seguem sendo úteis, mas sem a formação de um hábito não servem de muita coisa.

Ler em voz alta

Particularmente com relação aos textos budistas, como geramos hábitos? Um jeito tradicional é ler em voz alta. Mesmo sozinhos, ler em voz alta nos faz ler mais devagar. Com a entonação, tendemos a colocar aquilo de acordo com a prosódia, que dificilmente está totalmente representada pela sintaxe. Isto é, interpretamos o sentido. Fazemos com que aquilo soe bem, sensato, arredondado. Isso nos aproxima de unirmos as esferas de lógica, energia e profundidade.

Evidentemente que, quando lemos interiormente, se somos bons leitores, também fazemos isso. Porém, quem trabalha com texto sabe: quando estamos com dificuldade de colocar algo que soe bem em palavras, um subterfúgio comum é ler o que se está escrevendo em voz alta. Esse é um dos jeitos mais comuns de estabelecermos uma boa prosódia.

Você pode dizer: “ah, mas eu sei interiorizar bem a prosódia, não preciso disso”. E, de fato, consideramos leitores que precisam “mexer a boca” enquanto leem “gente simplória”. Desde que começamos a aprender a ler, ler em silêncio é o único modo aceitável para um adulto. Porém, se entendemos alguma coisa de interdependência e formação de hábitos — que é uma coisa que quase apenas o budismo foca explicitamente — , é que os mecanismos fisiológicos de que dispomos são muito úteis. Nossa boca, cordas vocais e caixas de ressonância também podem ser consagradas ao hábito da virtude, e isso tem implicações sobre nossa pessoa de forma inteira.

Ninguém cogita aprender piano para tocar algo como um piano virtual na própria cabeça! Grandes compositores até podem não precisar tocar nada, nem ouvir nenhum som físico — e podem até “ouvir” tudo na cabeça — mas ainda assim isso é considerado um feito quase mágico. E será que — se eles por acaso não forem surdos — não consideram a finalidade de tudo que fazem é efetivamente produzir aqueles sons? Ou será que uma partitura, ou pior, um sonho de música dentro de uma cabeça, é suficiente?

Com a fala não é diferente. Na visão budista, e também na visão tradicional do hinduísmo e em outras visões asiáticas, a fala tem uma dimensão sagrada — que está ligada justamente a esse hábito e interdependência com os sons da virtude e da sabedoria. “Sagrado” significa, basicamente, viver de acordo com nossa energia e sentido explícito, isto é, unir as três esferas. Não é nada mais especial do que isso. De fato, a fisiologia sutil nesses sistemas de pensamento chega a afirmar que pronunciar o darma em voz alta reverbera por toda a pessoa, e inclusive por todo o ambiente, tendo um poder curativo e pacificador. Esses sons não cessam de produzir benefícios mesmo quando já se extinguiram. O ambiente e o mundo ficam impregnados de nossa atividade virtuosa, e esse é o mundo que construímos para nós mesmos e para os outros com a leitura em voz alta de poesias religiosas. Esses hábitos fortalecem a interdependência com nossas estruturas físicas e sutis — corpo e mente — e também afetam diretamente o exterior.

Outros seres que literalmente os ouçam — como insetos ou talvez seres invisíveis, se existirem — também se beneficiam. Há uma história famosa de um monge que recitando o Prajnaparamita Hridaya (Sutra do Coração da Perfeição da Sabedoria) lembrou-se de uma vida passada em que era um escorpião próximo a um monge recitando o mesmo texto. Ele percebeu que sua conexão com o darma havia começado naquele instante, muitas vidas atrás, quando alguém fez a bondade de ler o texto em voz alta em sua proximidade.

Você pode se mover desconfortável em seu lugar: “mas eu não sei páli, sânscrito ou tibetano — e recitar em português não terá o mesmo valor… E, além disso, essas histórias de escorpião que tem ouvidos não colam.” Mas não é bem assim. Embora haja uma interdependência forte (séculos!) com as línguas tradicionais do darma, e elas devam ser preservadas e recitadas, é importante criar uma interdependência do darma também com as línguas modernas. Além disso, o português é da mesma família linguística do sânscrito. E, na visão budista, esses hábitos vão além de sons e corpos — nós usamos sons e corpos para fomentar essa interdependência, mas o resultado é impregnar toda a experiência de profundidade. E isso inclui qualquer tipo de sonho que se tenha, até mesmo o sonho particular de ser um escorpião ou um ser humano, ou de falar português ou sânscrito.

Precisamos resgatar essas letras, palavras, fonemas e sentidos da comunicação que visa destruir o mundo com consumo. Precisamos restaurar o âmbito léxico para o que é profundo e “sagrado”, para o que une as esferas de pensamento claro, emoções virtuosas e experiências significativas. O que fazemos de nosso corpo e do ambiente, de nosso relacionamento com o verbal ou textual, e com nossa própria experiência e a experiência dos outros pode ser exaltado ou indigno: basta assumirmos a perspectiva que nos parece mais sensata e gerarmos hábitos para isso.

Não é necessário também sempre recitar em voz alta. Porém, há uma tendência de praticantes modernos nunca recitarem qualquer coisa. A recitação, porém, é parte essencial da prática budista. Faça um pouco em língua tradicional — aproveite para aprender uns fonemas novos. Faça um pouco em português — ou inglês até, se for sua praia. Use textos budistas clássicos, modernos, poesia, liturgia, prosa. Há preces de refúgio, de oferenda, de refazer votos e compromissos (como o voto de bodisatva), há aspirações, dedicações de mérito, canções de realização, confissões, sutras, comentários, sadhanas, louvores, enfim, dezenas de estilos de composição em poesia e prosa budista. E aproveite e leia em voz alta até o que não for budismo: treine sua dicção, enunciação e prosódia. Mas escolha bem os textos, tente gerar um hábito na direção do esplendor e da dignidade. Faça disso tudo um hábito.

Hábito virtuoso, cultivo, prática — quando falamos “meditação” é a isso que nos referimos, não apenas uma postura corporal e uma instrução simplória de “ficar no presente”.

Aproveite que está formando hábitos e escolha alguns versos do coração — como a tomada de refúgio, e alguma parte do Caminho do Bodisatva de Shantideva, ou o que você achar adequado — para ter no repertório. Não vou aqui indicar nada porque isso é muito ligado a tradição que você pratica, e um tanto pessoal dentro da tradição — mas se você frequenta qualquer centro, você sabe o que se recita por lá — e qualquer centro budista tem recitação (o que é algo que gente que fica em casa lendo às vezes não desconfia).

Após algumas semanas ou meses repetindo diariamente esses versos escolhidos por 2 ou 3 minutos você naturalmente os decorará — e, sem dúvida, eles lhe serão úteis nesse modo prático. É interessante passar pela experiência de tentar entender algo, e repetir tantas vezes que se torna só um som sem nenhum sentido particular, e então reencontrar o sentido cuidadosamente, depois que aquilo está incrustado em nossa fisiologia sutil — em linguagem moderna, “marcado a ferro em nossos neurônios”, ou algo assim. O objetivo é automatizar e então reinserir cuidadosamente, a cada recitação, o sentido no automatismo. Não basta recitar automaticamente — mas recitar automaticamente é um passo necessário (nessa geração de hábitos).

É claro, se a pessoa tiver oportunidade de encontrar um professor do vajrayana, ela também pode se engajar em prática de mantras — que é totalmente outro patamar de fala sagrada, muito além da perspectiva hinayana-mahayana e secular que estou apresentando aqui. Mas, resumindo, quem quer atingir realizações e a própria iluminação de forma extremamente rápida, procure esse tipo de prática.

A transmissão oral

A outra forma de gerar um hábito e interdependência com o texto é a “transmissão oral”. Aqui você ouve outra pessoa lendo. Tradicionalmente antes de estudar um texto, no budismo, se pede ao professor que o leia inteiro em voz alta. Algumas vezes isso é feito junto com explicações extensas, usando pelo menos um comentário — algumas vezes um comentário clássico e um mais moderno, ou meia dúzia de comentários. E então você estuda o texto, munido dessa experiência introdutória. E provavelmente você recebe outras transmissões do mesmo texto e de outros comentários, e assim você aprofunda sua conexão com aquela vastidão. E quando usamos a palavra “vastidão”, isso não é jogar um adjetivo ao vento: quem já ouviu uma explicação de três ou quatro dias sobre o título de cinco palavras de um sutra, bem sabe. Um bom professor é capaz de recompor todo o darma — e expressar incessantemente a profundidade — a partir de uma única sílaba, e alguns textos budistas possuem dezenas ou centenas de comentários nas várias línguas asiáticas, com debates acalorados sobre pontos específicos.

Monges debatendo

O budismo é uma tradição extremamente letrada.

Grupos de leitura

Na impossibilidade de pedir a um professor que faça essa leitura, também ajuda formar grupos de recitação e discussão. É interessante fazer rodízios de três etapas: leitura em voz alta por quem quiser ler (revezando), contemplação dos pontos em posição formal de meditação (sentado com a coluna reta, numa cadeira ou no chão, tentando achar a conexão do texto com o que ocorre na sua vida e em sua mente), e discussão. Tudo isso é claro, evitando transformar a sessão em terapia em grupo. Marque-se um horário separado para isso. O momento de examinar a leitura pode ter exemplos pessoais, mas não deve se tornar uma conversa sobre nossas dificuldades — como frequentemente ocorre, especialmente no Brasil.

Todas essas coisas ajudam a criar uma relação mais profunda com o texto, e um hábito virtuoso que transforma nossa mente e nossa relação com o intelecto, com a fala e com a percepção do mundo.

Em particular, tendemos a ler rápido demais. É aquela velha pressão para consumir — entretenimento, estilo de vida, coisas. Assim, quando lemos algo, já estamos lendo outra coisa, e queremos terminar de uma vez — para talvez nunca mais voltar ao que já lemos daquele jeito desatento e descuidado uma única vez.

A maioria dos textos do darma não funciona bem com esse tratamento. Muitos livros devem — foram escritos para — ser lidos dezenas de vezes, e até mesmo para alguns textos longos é recomendado 108 leituras. Algumas pessoas acham o budismo “muito complicado” quando ouvem certos ensinamentos, mas isso é só “entropia” da parte delas — isto é, seu grau de agitação e ansiedade internos se manifestando, exigindo compreensão imediata de algo que demanda, tradicionalmente, memorização, meditação e debate — por anos.

É claro que o budismo vai soar complicadíssimo: ele não foi feito para ser engolido num só grupo de palestra de fins de semana. A torta não é indigesta: é só comer uma fatia por vez — e não tentar encaixá-la inteira na boca e mastigar uma única vez antes de engolir. E os ensinamentos não entram como se fosse um mero download: é preciso montar o altar interior, criar a receptividade, fomentar hábitos, estabelecer a interdependência repetidas vezes — e então ouvir, refletir, debater e aplicar.

Quer dizer, “ouvir” aqui, novamente, significa: recitar e ouvir. Ouvir a própria voz e a dos outros, e a dos professores. Então cada letra se torna um buda, e nada é difícil, maçante ou confuso. E paramos de conceitualizar e rotular em termos de complicado ou simples, enquanto aos poucos transformamos nosso próprio corpo, fala e mente em puro darma.


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