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Sobre a grafia tulku/trulku e outras questões de grafia no livro "O cristal e o caminho de luz"

Postado por Vítor Barreto em


Tenho recebido algumas mensagens de leitores e leitoras me perguntando sobre o uso da grafia trulku no livro O cristal e o caminho de luz, recém lançado pela Lúcida Letra.
Consultei o Otavio Lilla, revisor técnico dessa obra e ele fez considerações interessantes, que acho muito válidas que fiquem registradas, por isso publico aqui no blog:

"No meio acadêmico se utiliza o sistema Wylie de transliteração, porque é o único jeito de saber como as palavras são realmente escritas em tibetano. O alfabeto tibetano não é complicado, e cada letra pode ser transcrita por uma letra no alfabeto latino.
No entanto, o jeito que se escreve — como acontece também no português — nem sempre é o jeito como atualmente as palavras são pronunciadas. A ortografia tibetana foi fixada no século XI, enquanto a pronúncia continuou evoluindo e hoje inclusive difere muito de região para região do Tibete. 
Alguns livros (hoje em minoria) escrevem "trulku" em vez de "tulku", porque lendo o tibetano, é como deveria mesmo ser pronunciado.
Em tibetano se escreve སྤྲུལ་སྐུ, o que no sistema Wylie é dado por sprul sku. Isto normalmente é lido como "trulku". sprul é "emanar" e sku é "corpo", então sprul sku é "nirmanakaya". Esse também é o nome respeitosamente dado aos mestres que renascem para beneficiar os seres, apesar de serem considerados iluminados.
Eu não sei como os tibetanos realmente pronunciam སྤྲུལ་སྐུ, se é mais como "trulku" como diz a regra, ou se é mais "tulku" como ficou mais consagrado. Ou se há variações.
A verdade é que, com o uso contínuo nas línguas ocidentais, "tulku" se tornou o termo mais consagrado. O livro "O cristal e o caminho de luz" foi publicado bastante tempo atrás (a primeira edição é de 1987). Em algumas partes do livro usa-se diretamente o sistema Wylie (com uma mudança: deixando a letra principal em maiúscula) e em outras, eles usam um sistema próprio de transcrição fonética.
Pela regra de pronúncia, pr vira TR e o "U", estando antes do "L", vira "ü", como em francês."
Sendo assim, trata-se de duas maneiras de pronunciar a mesma palavra, que em tibetano se escreve  སྤྲུལ་སྐ e que significa “Nirmanakaya” ou literalmente “corpo de emanação”. 

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