Aprendendo a meditar (Trecho do livro "Transformando confusão em clareza")

Aprendendo a meditar

Como a consciência plena está sempre presente, pode parecer que nunca deveríamos deixar de reconhecê-la. Porém, mesmo que tenhamos a intenção e a motivação, nossos esforços podem sair dos trilhos e nos deixar frustrados: “Parece tão simples, por que não conseguimos meditar?” Devido a toda nossa compreensão intelectual, não conseguimos entender como ela é tão simples e continuamos a ter visões equivocadas. Todas essas visões têm em comum um mal-entendido: a crença de que há algo de errado com o momento presente. Talvez nosso local de meditação não seja suficientemente quieto, talvez seja muito quente ou muito frio; podemos ter muitos pensamentos ou muitas emoções, ou pensamos que não temos os pensamentos e sentimentos corretos. Tudo o que surge identificamos como um problema com o momento presente.

À medida que começamos a tentar descobrir os aspectos da mente que não havíamos visto antes, uma vez estabelecida nossa intenção, tudo o que acontece é bom. Simplesmente percebemos o que surge e deixamos ir. Não nos fixamos, não queremos guardar em algum lugar nem julgar o que aparece. Apenas observamos o desfile de pensamentos e emoções como se estivéssemos em uma plataforma de observação.

Ao invés de tentar construir um ambiente mental ou físico idealizado para a meditação, o melhor suporte é nosso próprio corpo. O Buda disse que nosso corpo é como uma xícara e nossa mente como a água. Quando a xícara está parada, a água está calma. Quando a xícara se move, a água se agita. Aquietar o corpo sustenta nossos esforços para trabalhar com a mente, tornando a postura o primeiro passo importante para aprender a meditar.

Ter um local específico para meditar pode ser útil, mas não pense: “Oh, eu não tenho uma sala de meditação com um altar perfeito e uma janela panorâmica com vista para uma cachoeira.” Apego a um local de meditação perfeito é só uma distração ou uma desculpa. Trabalhamos com qualquer situação em que estivermos. Se tivermos um lugar limpo e silencioso, maravilhoso. Se vivermos em uma cidade suja e caótica, não há problema. As pessoas praticam meditação em prisões, quartéis do exército, abrigos para pessoas sem teto e hospitais. O ponto essencial é trabalhar com a mente. Qualquer outra coisa – condições favoráveis ou desfavoráveis – pode ser usada a serviço de nossa prática.

O maior suporte para trabalhar com a mente não é um local externo, mas sim o nosso corpo. Já conhecemos a conexão entre corpo e mente: quando o corpo perde energia com a doença, nossa mente também perde energia. Se tivermos um resfriado ou uma dor de cabeça, dizemos: “Não consigo pensar direito.” Se a mente está conturbada pela rejeição, o corpo se sente abatido, como se tivesse sido esmagado pela vida. Com uma experiência feliz como um romance ou uma promoção, o corpo floresce com confiança. Ainda assim, as pessoas em geral não percebem como o corpo pode respaldar a mente na meditação.

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