Elementos sutis

Por Vítor Barreto
em 14 Janeiro, 2019
Elementos sutis - post no blog da Lúcida Letra
O corpo sutil muito raramente é discutido nos ensinamentos públicos. Entende-se que seja um dos ensinamentos mais elevados ou superiores do budismo tibetano. Entretanto, acredito que o entendimento do corpo sutil e sua influência em nossos pensamentos, ações e, em particular, nossas emoções seja essencial para o entendimento das camadas que obscurecem nossa capacidade de nos relacionarmos cordial e abertamente conosco mesmos, com os outros e com as condições que cercam nossa vida. Além do mais, sem entendimento do corpo sutil, a maioria das práticas de meditação se torna um simples exercício de extensão da nossa zona de conforto, uma série de técnicas que resultam na preservação do senso sólido de “eu”.

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As emoções são como faíscas

Por Vítor Barreto
em 08 Janeiro, 2019
As emoções são como faíscas
Já vimos que nossas emoções são mais fluidas do que pensávamos. A diferença é que agora, quando há o OLHAR de forma desnuda da experiência das emoções, vemos ainda mais. Neste ponto é possível ver as emoções como momentâneas e cheias de espaço – são como flashes de luz ou bolhas de gás na bebida. Há uma faísca de raiva e então outra faísca.

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A mente inquieta

Por Vítor Barreto
em 21 Dezembro, 2018
A mente inquieta
Algumas vezes, ou, talvez, até a maior parte do tempo, nossas mentes se sentem um pouco como fliperamas, sempre ricocheteando para todos os lados. Ah, se ao menos nos sentíssemos assentados em nossas próprias mentes e felizes com o lugar onde estamos e a direção que tomamos. Ah, se ao menos nossas mentes parassem de supercomplicar, superanalisar, pensar demais.

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Trecho de Autocompaixão: Um dom precioso

Por Vítor Barreto
em 17 Dezembro, 2018
Autoabraço, imagem para post do livro Autocompaixão

Um dom precioso

A autocompaixão é um dom disponível a qualquer pessoa disposta a se abrir para si mesma. Quando desenvolvemos o hábito de autobondade, o sofrimento se torna uma oportunidade de experimentar o amor e a ternura internos. Não importa como as coisas ficam difíceis, podemos sempre envolver nosso ego rasgado e esfarrapado em nosso próprio abraço macio. Podemos acalmar e confortar a nossa própria dor, assim como uma criança se acalma e é confortada nos braços da mãe. Não temos que esperar até sermos perfeitos, até que a vida seja exatamente como queremos. Não precisamos dos outros para responder com cuidado e compaixão, para nos sentirmos dignos de amor. Não precisamos olhar para fora de nós mesmos para encontrarmos a aceitação e a segurança a que almejamos. Isso não quer dizer que não precisemos de outras pessoas. Claro que precisamos. Mas quem está na melhor posição para saber o que você realmente sente por baixo dessa fachada alegre? Quem mais pode saber a extensão da dor e do medo que você enfrenta, e saber do que você mais precisa? Quem é a única pessoa em sua vida disponível 24 horas por dia para lhe fornecer cuidado e bondade? Você.
 
O trecho acima é parte do livro "Autocompaixão (clique para comprar)".
Agradecimento ao instagram @autocompaixao, por selecionar esse belo recorte.
Foto de Aaron Amat (Adobe Stock)

O maior desafio é lembrar

Por Vítor Barreto
em 14 Dezembro, 2018
O maior desafio é lembrar

Trecho do livro "Reflexos em um lago na montanha":

Trazer o máximo possível a presença para as nossas tarefas ajudará a transformar nosso dia em um nível muito profundo. É fácil. O principal problema é que a mente está tão aprofundada em sua inércia, tão aprofundada no desejo de permanecer adormecida que esquecemos continuamente de ficar atentos. Na verdade, o significado da palavra atenção plena em sânscrito e tibetano é “lembrar”. É parecido com a ideia cristã de rememoração e o conceito de lembrança de si de Gurdjieff. Trata-se de lembrar de onde estamos, quem somos e do que está acontecendo no momento. Como a atenção plena é parecida com a rememoração, seu inimigo direto é o esquecimento. Muitas vezes falo para as pessoas sobre essa qualidade da atenção plena, e elas dizem: “Sim, parece bom. Vou tentar”. No dia seguinte tentam arduamente ficar mais conscientes no trabalho e com a família. Isso imediatamente acrescenta uma nova dimensão especial a suas vidas. As pessoas começam a notar e a comentar. “Uau, você está muito mais bacana. O que aconteceu?” Elas voltam e relatam o quanto a atenção plena é sensacional e o efeito maravilhoso que está tendo em todos os aspectos de suas vidas. Eu digo: “Ok, me fale sobre isso daqui a alguns meses”. Então, encontro com elas dali a uns seis meses e pergunto como vai a atenção plena. Em geral respondem; “Oh, esqueci totalmente disso!”.

 

 

Esse é o principal problema. Estamos tão acostumados a estar adormecidos que o esforço para acordar é muito árduo. No mais não há problema. Não requer tempo nem qualquer talento específico. Não requer que sejamos grandes gênios ou iogues ou que façamos anos e anos de treinamento avançado. No instante em que digo para vocês apenas ficarem presentes, apenas terem conhecimento do corpo nesse momento, vocês podem tomar conhecimento! A mente recua e, subitamente, vocês sabem o que o corpo está fazendo. Certo? É muito fácil. O maior desafio é lembrar. Se vocês estão aprendendo a tocar um instrumento musical, por exemplo, não começam o aprendizado tocando sonatas de Beethoven. No começo fazem exercícios bem simples, como escalas. Mas continuam praticando até a técnica finalmente se impor. Se seguem praticando, chegam a um ponto em que nem estão mais cientes da técnica. A música simplesmente flui de seus dedos para o instrumento.

 

 

Com a mente é a mesma coisa. Nossa mente está cheia de maus hábitos e precisamos reprogramá-la desenvolvendo bons hábitos. No começo é muito difícil e há grande resistência. Mas, se formos pacientes e perseverarmos, a consciência ficará cada vez mais forte. A mente gradualmente começa a entender o que significa estar ciente. Então, os momentos de consciência começam a se prolongar. Logo, um dia, quando nem estamos pensando nisso, no meio da confusão total, de repente ficamos totalmente presentes. Vemos tudo com clareza, ainda que internamente a mente esteja em silêncio. Porém, os comentários e julgamentos voltam a nos inundar e perdemos aquilo. Mas, com o passar do tempo, existem mais e mais desses momentos de clareza e silêncio interior em que realmente vemos as coisas e tudo fica muito vívido. É realmente um processo de despertar.

 

Abaixo, informações sobre o livro:

A tradução do termo mindfulness no livro "Um espelho para relembrar"

Por Vítor Barreto
em 10 Dezembro, 2018
Capa do livro "Um espelho para relembrar"

No processo de tradução do livro "Um espelho para relembrar" (The Mirror of Mindfulness), Paula Rozin (tradutora para o português), consultou o tradutor original do livro para o inglês, Erik Pema Kunsang.

Uma sugestão dele foi usarmos um termo mais preciso para traduzir a palavra mindfulnessRemind (relembrar). Mindfulness, um termo estrangeiro já aparece bastante no contexto da meditação secular e muitas vezes com interpretações que podem diferir do sentido usado nos contextos budistas. (Em outras publicações da Lúcida Letra já usamos atenção plena e também presença mental para traduzir mindfulness.)

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Reciclando uma emoção - Trecho de Resgate emocional

Por Vítor Barreto
em 07 Novembro, 2018
Reciclando uma emoção - Trecho de Resgate emocional
Este é um trecho do livro Resgate emocional. Ele ilustra bem o conteúdo prático e a abordagem do autor, tão próxima de nossa realidade. 
O trecho é do capítulo "A chave é a presença mental".
Começamos a reconhecer que não há emoção que precisemos jogar fora. É possível reciclar qualquer uma delas. Assim como o veneno de uma cobra venenosa pode ser transformado no soro que salva uma vida, até mesmo a inveja tóxica pode se transformar em bondade otimista.
Digamos que certo dia uma velha amiga componha uma canção que ganhe projeção viral e do dia para noite venha a gravar um disco, dando início ao seu próprio selo musical. Todo os dias você vê o rosto sorridente dela no iPad ou no smartphone e começa a sentir inveja. Em vez de chorar por ainda estar trabalhando em uma cafeteria, o que você deve fazer? Podemos apanhar a emoção que está surgindo e reprocessá-la. Reconheça a inveja e lembre-se de observar a porta da mente com presença mental. Quando vemos quem está batendo, tentando invadir nosso espaço e chamar a nossa atenção, podemos até convidá-lo a entrar, mas primeiro colocamos algumas regras básicas. Não vai haver comportamento ruim ou correria. A emoção pode ficar um tempinho, para uma conversa sincera. Por que ela apareceu? O que a está preocupando? Na medida em que se dispõe a contar seus propósitos, aos poucos a retórica do sentimento indesejado suaviza. Começa a surgir espaço para a simpatia. A inveja passa a se tornar apreciação e felicidade pelo sucesso de sua amiga. E então, em vez de você se botar para baixo, pode até se inspirar a realizar seu próprio sonho.
O Plano de RE nos ajuda a desenvolver o conhecimento e as habilidades para redirecionar a energia e optar pela Saída 2: a reciclagem.

Foto de Matthew Henry do Burst

 

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Ancorando a ética na natureza humana, por S.S. Dalai Lama

Por Vítor Barreto
em 17 Setembro, 2018
Ancorando a ética na natureza humana, por S.S. Dalai Lama

ANCORANDO A ÉTICA NA NATUREZA HUMANA

Em todas as culturas, todas as filosofias e, na verdade, em todas as perspectivas individuais, não há uma unanimidade sobre a orientação essencial da natureza humana. Pelo contrário, há diferentes pontos de vista. Colocando o assunto da forma mais simples, de um lado existem aqueles que acreditam que somos por natureza violentos, agressivos e competitivos; enquanto de outro lado existem aqueles da opinião de que somos predominantemente predispostos à gentileza e ao amor. A maioria das perspectivas reside entre estes dois extremos, oferecendo espaço para todas as nossas qualidades e tendências em diferentes níveis. De um modo geral, se olharmos para a natureza humana como estando dominada por tendências destrutivas, nossa ética provavelmente estará baseada em algo que está fora de nós mesmos. Nesse caso, compreendemos a ética como um meio para manter essas tendências destrutivas sob controle em função de um bem maior. Se, no entanto, vemos a natureza humana como predisposta para a bondade e para o desejo por uma vida pacífica, então podemos considerar a ética como um meio totalmente natural e racional de cultivar o nosso potencial inato. Nesta visão, a ética consiste não em regras a serem obedecidas, mas em princípios de autorregulação internos para promover aqueles aspectos da nossa natureza que nós reconhecemos como favoráveis ao nosso próprio bem-estar e ao bem-estar dos outros. Esta segunda abordagem está em sintonia com a minha.

Este é um trecho do livro "Além de religião".

 

Alan Wallace, sobre a prática de tonglen

Por Vítor Barreto
em 01 Setembro, 2018
Alan Wallace, sobre a prática de tonglen
A prática de tonglen pode realmente aliviar o sofrimento da outra pessoa, mas o verdadeiro critério de sucesso nesta meditação é a atenuação de nosso autocentramento e o desenvolvimento do amor e da compaixão em nossos próprios corações.

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A negação na meditação

Por Vítor Barreto
em 04 Julho, 2018
A negação na meditação

Trecho do capítulo 5 (Dois modos de escapar) do livro "O poder de uma pergunta aberta".

[...]

Pensamentos surgem junto com energia, sensação e emoção, e não há problema nisso. Mas o que fazemos quando energia, sensações, pensamentos e emoções se tornam desconfortáveis? O que fazemos com todas as experiências indesejáveis que temos durante a meditação? A tensão em nosso pescoço: o que fazemos com ela? O que fazemos com todos aqueles pensamentos incontroláveis? O que fazemos com o embotamento, as emoções negativas, a fadiga, a excitação, a loucura, o tédio? Em suma, o que fazemos com as experiências desagradáveis?

“Indesejáveis” refere-se às frustrações que experienciamos quando nossas esperanças e expectativas sobre como queremos que as coisas sejam não são atendidas. Temos preferências em relação a como gostaríamos que nossa experiência fosse: um descanso da vida comum; algum tempo livre para ser “espiritual”; um estado de mente prazeroso. Mas, quando sentamos para meditar, parece que estamos apanhando da nossa mente. Não sabemos como nos relacionar com a energia dinâmica da mente, porque ela parece vir em nossa direção como um inimigo. Mas o fato de rejeitarmos grande parte da nossa experiência deveria nos servir de indicação de que estamos no caminho errado.

A negação retira a consciência do nosso desconforto, buscando a liberação sem levar em conta nossa experiência. Isso soa familiar? O Buda abandonou seu retiro na floresta por ter compreendido que o desenvolvimento espiritual não seria possível por meio da negação do mundo físico, dos pensamentos, das emoções e percepções. Em outras palavras, ele entendeu que atingir a iluminação não será possível se rejeitarmos e negarmos os acontecimentos que são a nossa vida em si.

A beleza e a bondade únicas da abordagem do Buda é que ele nunca sugere que precisamos experienciar nada além do que já experienciamos. O Buda nunca disse que alguns pensamentos são maus e errados e que deveríamos rejeitá-los. Pensamentos e emoções – todos os tipos de eventos – surgem em nossas vidas e nós não podemos controlá-los. O primeiro ensinamento do Buda começa com profunda investigação do sofrimento e suas causas. A contemplação budista oferece-nos a oportunidade de desenvolver uma nova relação com o sofrimento que é o oposto da nossa postura usual de negação das experiências indesejáveis. A partir dessa visão, circunstâncias desafiadoras tornam-se portões de entrada para a liberação. Seguindo esse espírito, os ensinamentos budistas enfatizam a prática de incluir e penetrar profundamente na natureza de todas as coisas, em vez de rejeitar as experiências.

Uma vez, durante um retiro difícil no qual muitos pensamentos e emoções turbulentas seguiam surgindo em minha prática, meu professor, Dzigar Kongtrül Rinpoche, me explicou que as perturbações que encontrei vinham de uma resistência sutil que eu tinha em relação à minha experiência. Rinpoche me fez recordar que a atitude a ser adotada na prática é a de oferecer respeito e gratidão à mente e à experiência. Quando respondemos a qualquer coisa que surge com julgamento ou agressão, experimentamos a dor disso. Na vez seguinte em que eu sentei para praticar, parei de rejeitar minha experiência, de evitá-la. Surpreendi-me ao ver quanta diferença fazia. Era apenas um pequeno ajuste, mas ainda assim senti como se uma carga enorme houvesse sido liberada. E, mais importante, essas instruções me ensinaram a apreciar minha mente durante a prática.

 

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