Arco-íris na mão

Trecho do livro Reflexos em um lago na montanha, de Jetsunma Tenzin Palmo

Existe uma grande diferença entre ter pensamentos e emoções e ser absorvido por eles e se identificar com eles. Ainda podemos ter pensamentos e emoções enquanto vemos sua qualidade de arco-íris. Em outras palavras, embora não acreditemos neles de todo coração, podemos brincar com eles. Quando vemos um arco-íris, não pensamos que seja real. Arco-íris surgem a partir de certas causas e condições, como a umidade do ar entrando em contato com a luz do sol sob certo ângulo. Se todas as causas e condições se juntam, temos algo que é muito bonito e de aparência muito sólida que chamamos de arco-íris. Ele não existe realmente, mas ainda assim existe. Todos nós podemos enxergá-lo, todavia não podemos chegar até ele e tocá-lo. Isso é muito parecido com nossa realidade externa e nossas emoções. Estão ali, mas não exatamente do modo como percebemos. Quando compreendemos isso, obtemos uma tremenda liberdade. Podemos desfrutar do arco-íris sem tentar agarrá-lo. Não é o meu arco-íris. Ninguém pode comprar um arco-íris e colocá-lo no jardim como seu arco-íris particular. Precisamos ficar livres dessa escravidão tirânica do ego. Se procurarmos esse ego, nunca iremos encontrá-lo. Nesse sentido podemos desconstruir essa ficção.

 

Página 133-134 (trecho selecionado pela querida Jeanne Pilli)