Presença natural: alerta, aberta e terna (trecho de "Refúgio verdadeiro")

Presença natural: alerta, aberta e terna

A presença não é um estado exótico que nós precisamos procurar ou fabricar. Em termos bem simples, ela é a sensação de alerta, abertura e ternura que surge quando estamos completamente presentes na nossa experiência. Você com certeza experimentou a presença, mesmo sem tê-la chamado assim. Talvez você a tenha sentido deitado na cama e ouvindo grilos numa noite quente de verão. Você pode ter sentido a presença enquanto andava sozinho num bosque. Você pode ter entrado completamente em contato com a presença enquanto testemunhava alguém morrendo ou nascendo.

A presença é a consciência intrínseca à nossa natureza. Ela é imediata e concreta, sendo percebida por meio de nossos sentidos. Se você olhar com atenção para qualquer experiência de presença, você vai encontrar as três qualidades que eu mencionei acima.

Estar alerta tem a ver com a consciência básica que está ciente do que está  acontecendo, a inteligência que reconhece o fluxo inconstante da experiência momento a momento — os sons que estão à nossa volta, as sensações no nosso corpo, os nossos pensamentos. É a qualidade “sabedora” da consciência.

Nossa abertura é o espaço da consciência no qual a vida acontece. Tal consciência não se opõe à nossa experiência, nem a avalia de forma alguma. Mesmo quando nossos sentimentos e pensamentos estão dolorosamente agitados, ela apenas reconhece o que está acontecendo e permite que nossa vida emocional seja o que é. Assim como ocorre com o céu quando os sistemas meteorológicos vêm e vão, o espaço amplo da consciência não é maculado pelas expressões variáveis da vida que passam por nós. E ainda assim a consciência tem uma sensibilidade natural e a capacidade de expressar afeto. Essa receptividade é o que chamo de ternura. Nossa ternura nos permite responder com compaixão, amor e respeito ao que quer que surja, em toda a sua beleza e tristeza.

Podemos nos referir a elas como as três qualidades da presença, mas na verdade elas são inseparáveis. Pense em um céu ensolarado. Não há como separar a luz do céu do espaço que ela ilumina; não tem como separar o calor que sentimos do espaço e da luz ao nosso redor. Luz, espaço e calor são expressões inseparáveis de um todo.

Nosso desejo de viver plenamente — a partir da nossa essência — nos chama para casa nessa presença natural. Nossa compreensão da verdade surge da lucidez da presença. O amor flui da receptividade da presença. Vivacidade e criatividade florescem quando habitamos a abertura da presença. Tudo o que estimamos já está aqui, originado na presença. Cada vez que gritamos por socorro, nosso desejo pode nos lembrar de voltar para nosso verdadeiro refúgio, em direção à cura e à liberdade da presença natural.

 

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