Um ensinamento e um encontro casual no livro "A lógica da fé"

Elizabeth Mattis Namgyel (autora do lançamento "A lógica da fé") tem uma linguagem maravilhosa e é capaz de apresentar ensinamentos profundos a partir de insights aparentemente simples, como este:

 
"Quando passa a considerar que o que é tomado como realidade depende de um contexto, você talvez comece a suspeitar de que as coisas não têm mesmo uma existência objetiva. Outro modo de colocar isso é que as coisas não possuem características intrínsecas por si mesmas. Nós estabelecemos a realidade com base em percepções e acordos consensuais. Por exemplo, se eu lhe pedisse que imaginasse “o mundo”, o que viria à sua mente? O que você vê? Talvez você tenha memórias visuais do que assistiu no noticiário pela manhã, ou quem sabe evoque imagens pessoais de seu local de trabalho, família ou a cidade na qual vive. Talvez venha à sua mente imagens públicas que já tenha visto, como a fotografia Mármore Azul. Talvez você aceite essa imagem universal do planeta Terra como a referência visual definitiva do que é o mundo, mas, se pensar mais um pouquinho, a perspectiva de ver a imagem da Terra inteiramente iluminada desde o espaço apenas se tornou disponível para nós a partir de 1972. De fato, há muitas pessoas que sequer têm contato com o conceito de que o mundo é redondo.
 
Uma vez uma mulher em uma área remota do Nepal me perguntou quanto eu tive de caminhar para chegar até sua vila. Eu usei uma laranja para demonstrar a distância entre as nossas duas “vilas”. Mas ela não fazia ideia do que eu queria dizer, porque ela não tinha contato com o conceito de um mundo redondo. No entanto, sua habilidade de cultivar a própria comida e viver de forma simples com contentamento me mostrou que ela tinha uma relação profunda e conectada com seu mundo, não menos correta que a minha."

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